fbpx

Energia solar: será que é hora de investir nesta opção para a sua casa?

Com as recentes altas no custo da energia elétrica e a possibilidade de uma crise hídrica que pode comprometer o sistema elétrico do país e gerar “apagões”, muitos consumidores estão estudando formas de “reduzir a conta” e garantir um pouco mais de independência energética. E, nesse momento, uma das principais opções para uso residencial é a energia solar.

O conceito é simples: painéis solares instalados no telhado de uma casa transformam a luz do Sol em energia elétrica. Essa energia é “injetada” na rede elétrica local, e o proprietário da casa recebe em troca créditos equivalentes ao potencial gerado, que podem ser usados para reduzir o valor das próximas faturas.

É uma situação na qual todos ganham. O consumidor, porque reduz a fatura mensal, e a concessionária responsável pela rede elétrica, que tem um aumento em sua capacidade de geração. Quanto mais sistemas solares instalados, mais energia é gerada, e menor a necessidade de recorrer, por exemplo, a usinas termoelétricas para atender a uma alta na demanda.

Energia solar está cada vez mais acessível

No Brasil a geração residencial de energia solar, que representa apenas 1% da geração de energia no país, já foi vista como “coisa de rico”. Mas ela vem se popularizando e o mercado está crescendo de 10% a 15% ao ano. E apesar dos sistemas terem um alto custo inicial, entre 15 e 25 mil reais, “mais da metade dos novos sistemas são de residências das classes C e D”, diz Guilherme Susteras, membro sênior do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) e sócio-diretor da Sun Mobi.

Isso graças a modalidades de financiamento oferecidas por bancos e instituições privadas. “Cada vez mais há instituições privadas, bancos e também algumas cooperativas de crédito com linhas de financiamento onde a parcela que você vai pagar pelo sistema fotovoltaico é equivalente ao que você paga em sua fatura de energia. Então você consegue substituir sua fonte de energia sem que isso pese no seu bolso”, diz Susteras.

Com uma vantagem: o financiamento pode ser quitado em quatro ou cinco anos, mas o equipamento tem uma vida útil de 25 anos, em média. Ou seja, são até 20 anos sem uma conta de luz, pagando só a fatura mínima da concessionária.

Aliás, esse é um ponto importante: “você continua ligado à rede da concessionária, e se faltar luz na rede você também vai ficar sem energia”, diz Susteras. Para ser verdadeiramente independente seria necessário instalar, além dos painéis, um sistema de baterias para armazenamento de energia. Entretanto, devido ao custo elevado, isso é incomum.

A instalação dos painéis solares em si é algo fácil, que pode ser feito em uma ou duas semanas. Existem no Brasil mais de 15 mil empresas especializadas nisto, algo que também beneficia a economia local.

“Essas empresas têm uma vantagem adicional de estarem espalhadas no Brasil todo. Se você mora em Passo Fundo e vai comprar um sistema fotovoltaico, você vai contratar um engenheiro de Passo Fundo. Mesma coisa se você estiver em Caitité ou em Porto Velho”, diz Susteras.

“Então você gera emprego qualificado no lugar onde o sistema é instalado. Esse é o grande barato da geração solar distribuída, que além da questão de sustentabilidade ambiental e benefício econômico de quem instala o sistema, também há o benefício econômico da região, porque você gira a economia local”, afirma.

Susteras reforça que é importantíssimo que essa instalação seja feita por profissionais qualificados e certificados: “o projeto tem que ser assinado por um engenheiro ou arquiteto, que assumirá responsabilidade técnica pelo trabalho. Se a instalação for feita em um telhado, é importante que o instalador tenha certificação de trabalho em altura, afinal ninguém quer que alguém suba num telhado sem os devidos cuidados”.

Atenção à papelada

Entretanto, a instalação dos equipamentos é apenas parte do processo: “você precisa de uma série de trâmites técnicos e burocráticos com a concessionária de energia local. Ela vai analisar se a rede local tem condições de absorver a energia, ela vai mudar o seu medidor pra um modelo bidirecional que vai medir tanto a energia injetada na rede quanto o que você continua absorvendo dela, e isso tem alguns trâmites. As concessionárias têm 30 a 60 dias para analisar cada etapa desse projeto”.

Quem cuida destes trâmites é a empresa responsável pela instalação, mas por causa deles podem ser necessários entre três e quatro meses entre o momento em que o cliente fecha a compra e quando o sistema é colocado em funcionamento. Felizmente, o consumidor não precisa se preocupar com muita coisa durante o processo.

“As empresas que fazem a instalação costumam trazer uma solução que é quase ‘chave na mão’: elas já sabem quais são os bancos que financiam, quais são os benefícios fiscais, de tal forma que no processo de compra fica tudo muito transparente para o comprador”, diz Susteras.

“É como quando você vai na concessionária comprar um carro novo, e a própria concessionária cuida do financiamento, às vezes do seguro, esse tipo de coisa. Cada vez mais estamos vendo que os instaladores estão assumindo essa postura de venda consultiva, vendem não só o sistema, mas sim a solução completa com o financiamento, o seguro necessário, trâmites com a concessionária, etc.”, complementa.

Mas a energia solar não é privilégio exclusivo de quem tem um telhado e se dispõe a instalar equipamento sobre ele. Mesmo quem tem um apartamento ou mora em uma casa alugada pode tirar proveito deste método de geração de energia: isso por causa do surgimento de serviços de “geração compartilhada”.

“Desde 2016 há uma modalidade regulatória chamada geração compartilhada que também tem permitido a este público acessar a energia solar. Normalmente são sistemas de assinatura, mensalidades, que o consumidor contrata e passa a ter acesso à energia solar como se o equipamento estivesse no telhado dele, mas ao invés de usar a energia do telhado dele ela vem de uma fazenda solar em outra região, na mesma área de concessão, e através do fio da concessionária ela chega pra pessoa”, diz Susteras.

Cuidado com o rebote!

Com o sistema instalado, não há muito com o que se preocupar além de uma manutenção preventiva, que idealmente deve ser feita uma vez ao ano. Isso inclui uma verificação geral do estado de conservação de cabos, conectores e equipamentos, e uma limpeza dos módulos para remover poeira acumulada, que pode reduzir a quantidade de energia gerada. Embora a água das chuvas já faça parte desta tarefa, uma limpeza ocasional mais “a fundo” é recomendada.

Outro cuidado é com o “efeito rebote”, nome dado para quando uma pessoa instala um sistema fotovoltaico para reduzir sua conta de energia mas acaba gastando mais do que gastava antes.

Isso ocorre porque as pessoas começam a achar que a energia é “de graça” e deixam de praticar aqueles cuidados básicos para economizar. Ou seja, deixam o ar condicionado ligado o dia inteiro, tomam horas e horas de banho, e aí no fim das contas toda aquela economia e geração prevista já não é mais suficiente.

“Imposto” sobre o Sol?

Atualmente a geração de energia solar no Brasil funciona em um sistema chamado Net Metering, no qual cada kw/h que o consumidor gera e não consome imediatamente vira um “crédito” equivalente para consumo posterior na rede elétrica da operadora. Mas uma proposta da ANEEL, agência do governo que regulamenta o setor elétrico no país, pode tornar essa relação menos vantajosa para o consumidor.

“No final de 2019 a ANEEL propôs uma revisão nas regras do sistema de compensação de energia. Hoje cada kw/h que você injeta na rede você tem direito a 1 kw/h da concessionária. Na proposta da ANEEL, a cada 1 kw/h que você injetar você receberia só 0.42 kw/h de volta”, diz Susteras. “Teve uma movimentação popular bastante grande quanto a isso porque, afinal de contas, era percebido como uma taxação. Esse assunto hoje está em debate na Câmara dos Deputados”.

Projeto de Lei 5829 do Deputado Silas Câmara (Republicanos/AM) propõe uma regra de transição e uma cobrança pelo uso da rede por quem gera sua própria energia. Entretanto, com um percentual menor: em vez da “mordida” de 58% que a ANEEL propôs originalmente, ela seria algo em torno de 28%.

“É um valor bastante alto ainda, mas é um valor que foi uma solução de compromisso que o deputado encontrou entre a necessidade de remunerar de fato as redes das distribuidoras com um valor justo, mas que também mantém os sistemas viáveis para instalação”, diz Susteras.

“O que eu acho muito bacana é que a energia solar está se popularizando. Uma coisa que já foi vista como de gente rica, está cada vez mais acessível. É o mesmo fenômeno que vemos nos celulares, no começo dos anos 90 o telefone era tão raro que até o telefone fixo era declarado no imposto de renda, e hoje temos mais aparelhos celulares que cidadãos no Brasil”, diz Susteras. “Então a energia solar é sim para todos. E ela não é a energia do futuro é a energia do presente”.

Fonte: Olhar Digital

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *