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Do telhado à fachada: Arquitetura mais sustentável inclui energia solar em projetos

A tecnologia fotovoltaica evoluiu para um caminho de versatilidade aliando economia e energia limpa à estética

Energia solar não é mais uma novidade no mercado e vem sendo aplicada nos mais variados projetos de arquitetura e urbanismo na última década. Na corrida por fontes renováveis de energia, alinhada à estética das grandes cidades, diversos países executaram propostas de coberturas e fachadas com tecnologia fotovoltaica em seus monumentos e arredores, como a ponte solar Blackfriars Station na Inglaterra e o bairro solar Vauban em Freiburg, na Alemanha.

Um exemplo no Brasil se encontra na Universidade Federal do Rio de Janeiro, que transformou a cobertura da garagem do campus Ilha do Fundão, com capacidade para 65 veículos, em um arranjo arquitetônico com 414 placas fotovoltaicas. O sistema gera uma economia de 63 mil reais por ano para a instituição, ao custo de R$ 1,6 milhões à época de sua instalação em 2015.

Preço e demanda

Na última década, a queda no preço-médio do setor gerou aumento exponencial de instalação do sistema fotovoltaico em diversas regiões do país. O efeito foi uma maior adesão de usuários, sejam proprietários de imóveis ou profissionais de arquitetura e engenharia. O interesse é na otimização dos recursos energéticos em plantas industriais, em diversas funções no agronegócio e em residências, inclusive como alternativa estética nas edificações.

A evolução do sistema fotovoltaico pode ser percebido para além do modelo clássico de placas instaladas acima dos telhados, possibilitando versatilidade e harmonia ao projeto da obra ou adaptação. Atualmente, o mercado oferece materiais de construção com células fotovoltaicas em sua composição, em substituição a telhas e vidros convencionais, aplicados a projetos dos mais diferentes fins, por exemplo, em gazebos, coberturas de varandas ou em garagens, bangalôs e brises.

A substituição de materiais na composição de telhas e estruturas de fachada é conhecida como energia solar fotovoltaica integrada em edifícios ou BIPV (na sigla em inglês, Building Integrated Photovoltaic). Neste caso, o material de composição dos acabamentos na construção, por exemplo, telhas e fachadas de vidro, são de células fotovoltaicas. Embora as peças permitam mobilidade para o uso no projeto, podendo ser modulares, curvilíneas ou retas, esse tipo de material ainda possui um custo elevado devido à importação do produto para o país.

Instalação e adaptação em projetos

Os módulos podem ser instalados em telhados pré-existentes ou realizados a partir de projetos na planta. A quantidade de placas ou peças a serem utilizadas para a geração de energia no sistema irá depender do estudo do consumo do local, seja residencial ou empresarial, e disponibilidade de fixação.

“É feito um estudo técnico para que os módulos não fiquem à sombra e recebam luz, pelo menos, no período de 10 às 16h, momento de maior radiação solar, sendo o ideal para a geração do sistema, a instalação ser voltada para o Norte. A maioria dos projetos ainda são instalados acima de telhados em estruturas de inclinação”, sinaliza a engenheira elétrica, Ina Tavares.

O estudo para instalação do sistema fotovoltaico é feito caso a caso. Segundo Tavares, há projetos que se utilizam das placas como coberturas de gazebos, varandas ou como estrutura metálica de barracões.

“Estive em um projeto em que o cliente (um posto de gasolina) necessitava de muitos módulos, mas não tinha disposição para fixação no telhado. Então, instalamos placas fotovoltaicas em uma estrutura metálica no lava a jato, dentro do posto, conciliando praticidade, a economia do sistema, com a arquitetura e com a funcionalidade que o cliente necessitava”.

“As placas fotovoltaicas podem ser instaladas desde projetos residenciais, até em empreendimentos corporativos ou usinas solares. Essa modalidade se adequa para diferentes fins, sendo capaz de incorporar projetos arquitetônicos esteticamente bonitos e ambientalmente responsáveis”, afirma.

Créditos com a Concessionária

A geração de energia elétrica ocorre com a radiação solar em corrente contínua e, a partir disso, é levada até o inversor, que possui a função de mudança da energia gerada para o padrão da rede local da concessionária de energia estadual — a depender da região no Brasil, ela poderá ser de 220 ou 110 volts.

De acordo com a legislação brasileira, o que não é consumido pela residência ou prédio comercial é enviado ao medidor da concessionária para fins de contabilização do que foi gerado para gestão da compensação de créditos no final do ciclo, a serem usados pelo cliente em até 60 meses no abatimento de sua conta.

Fique atento: o crédito não poderá ser usado para abater a cobrança de taxa mínima de energia e de iluminação pública. Segundo a engenheira elétrica, Ina Tavares, o retorno financeiro para aquisição do sistema fotovoltaico On-Grid, ou seja, em rede conectada à concessionária, é de 3 a 5 anos após a instalação.

A energia solar corresponde a 2,7% do total disponível para consumo da matriz energética brasileira, que ainda opera com mais de 60% no modelo de hidroelétricas. Somente no primeiro bimestre de 2021, somando as modalidades de geração distribuída e centralizada, o setor produziu 270 megawatts de potência instalada, destacando-se como um sistema de energia limpa e efeitos atraentes nos espaços urbanos e rurais.

Fonte: G1

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